Carne
Carmela Gross
248
instalação
Carmela Gross, fotografia
2006
Projeto Arte-Passageira do Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo
CARNE é um titulo, um nome próprio. Está no início, no meio e no fim da obra-ônibus. No início, porque é o vetor projetivo que se funde como conceito ao veículo ônibus. No meio, porque conduz as operações plásticas, os processos de feitura e a configuração do todo. E no fim, porque é uma chave para a apreensão e percepção da obra, um dos seus sentidos ou parte da sua significação.
Para conectar a ideia de carne ao ônibus, foi preciso cobrir o veículo-máquina com muitas camadas de vermelho e forrar todas as suas partes também com tecidos e papéis vermelhos. Mesmo com todas as peculiaridades de um ônibus, o veículo virou uma enorme “massa esponjosa” vermelha, na qual, dentro e fora, transparência e opacidade, porta, janela, capota, chão, teto e banco constituem uma unidade. No letreiro luminoso, indicativo do seu destino, lê-se a palavra “carne”.
Carne quer dizer tecido muscular animal, alimento, coisa-à-venda; e, ainda, a natureza animal ou física do homem. No ônibus CARNE, o bicho-homem se faz um passageiro, para o qual o mundo lá fora, e ele mesmo, são só vermelhidão (Freitas).
Ônibus circular desativado da USP;
Papéis vermelhos.
Revestimento
Arte Brasileira
Arte Contemporânea
Ônibus
FREITAS, Douglas de (ed). Carmela Gross. Rio de Janeiro: Cobogó, 2017.