Buracos
Carmela Gross
247
instalação
Rômulo Fialdini, fotografia
1994
Antigo Matadouro Municipal de São Paulo.
Os buracos escavados por Carmela Gross iniciam um movimento descendente, condicionado pela bruta fisicalidade do lugar. Como se essas perfurações larvais pudessem ser uma busca de novos horizontes, uma tentativa de insuflar um pouco de ar num ambiente asfixiante. Mas, janelas perversas, dão para o chão. Cada buraco é meticulosamente desenhado e alocado numa planta do local. Dispostos segundo uma grade, esses buracos fazem um mapeamento negativo do espaço, indicam tudo aquilo que não é, que não se pode ver (Nelson Brissac Peixoto citado por Ripoli, p.139).
Para a artista, “margens, bordas e limites são demarcações de um buraco, dos muitos buracos feitos no chão de uma das salas do Matadouro”. A primeira margem remete aos encontros com outros artistas, a segunda a outros trabalhos “esburacados’ dela mesma. A terceira (conceito tirado de Guimarães Rosa), “o fundo, se ancora no lugar – o pavilhão do matadouro, o edifício e sua história ¬– lugar nenhum, passagens, buracos, túneis, túmulos, covas, caverna (site de Carmela Gross).”
18 x 18 m
Arte Brasileira
Arte Contemporânea
RIPOLI, J.R. Cronologia crítica. In: CARMELA Gross: um corpo de ideias. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 2010.
Site de Carmela Gross